25 de jan de 2009

Marcelo Rubens Paiva lança novo livro em São Paulo

Marcelo Rubens Paiva é fascinado, ao grau da morbidez, por uma cena comum em todas as separações. É aquele momento no qual um dos amantes diz para o outro: 'Precisamos conversar'. Para ele, "o mundo será outro a partir daquele segundo. E, atordoados, teremos de quebrar pactos. É um sofrimento opcional. Decide-se romper, acabar com o amor. É preciso coragem para acabar." A descrição desse sentimento é um trecho de A Segunda Vez Que Te Conheci, livro que o escritor lançou em São Paulo, para contar a história do casal Raul e Ariela.
Além de lidar com o rompimento da relação, o jornalista Raul enfrenta um outro trauma: ser demitido de uma revista conceituada. O jeito foi se virar com o que o mar trouxe à praia: agenciamento de prostitutas, função desempenhada com afinco e sucesso a partir de um flat no bairro dos Jardins. Esse é o enredo da obra, que trata das relações contemporâneas, em especial as que envolvem o sexo pago. "A prostituição parecia extinta com a revolução sexual, mas ela renasceu na sociedade que quer rapidez, papéis claros e, sobretudo, privacidade", diz Paiva. "O sujeito se envolve com uma garota de programa quando quer ainda aquela mulher submissa, obediente, descartável, sem conflitos", completa. Ele chegou a essa conclusões após uma pesquisa de campo em esquinas, boates e sites sobre o universo das prostitutas. "Freqüentei pontos de programa bizarros, não tenho preconceitos. Converso, fico amigo. Talvez eu também seja parte desse mundo de gente esquisita e discriminada."

Na avaliação de Paiva, "todos querem estar casados, felizes, querem agregar, mas no mundo cheio de tentações rola a desagregação". E seu Raul também passa por esse dilema. Ele volta a sair com a ex-mulher, mas sem abandonar a rotina de cafetão. "Acredito em segunda chance para tudo: é o ponto de partida do que escrevo", defende o autor. Ele próprio representa um exemplo de reconstrução humana. "Eu me reconstruí, aos 20 anos, como deficiente. E quero dizer para as pessoas que existe uma segunda chance. E, às vezes, é preciso deixar de ser algo para ser uma outra coisa", declara.

Marcelo Rubens Paiva nasceu em 1959, em São Paulo. Escritor, dramaturgo e jornalista, estudou na Escola de Comunicações e Artes da USP, freqüentou o mestrado de Teoria Literária da Unicamp e o King Fellow Program da Universidade de Stanford, na Califórnia. Publicou cinco romances: Feliz ano velho (1982, Prêmio Jabuti), Blecaute (1986), Uabrari (1990), Bala na agulha (1992) e Não és tu, Brasil (1996). Publicou também o livro de crônicas As Fêmeas (1994). Foi traduzido para o inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e tcheco. Como dramaturgo, escreveu: 525 linhas (1989); O predador entra na sala (1997); Da boca pra fora – e aí, comeu? (1999, Prêmo Shell); Mais-que-imperfeito (2000); Closet Show (2001); e No retrovisor (2002).

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