8 de out de 2009

Com paralisia cerebral grave e movimentos apenas do pescoço para cima, Antônio Leme dedica-se há três anos ao esporte

A cidade de Jacareí, no Vale do Paraíba, terá um representante na seleção brasileira que competirá na Copa América de Bocha Adaptada. O atleta Antônio Leme, conhecido como Tó, é integrante da equipe de bocha adaptada para pessoa com deficiência de Jacareí e foi convidado pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (Ande) para integrar a delegação do Brasil. A disputa ocorre em Montreal, no Canadá, entre os dias 24 e 29 de outubro.

Aos 44 anos, Tó joga há três anos pela modalidade BC3, categoria destinada a pessoas com paralisia cerebral severa. Ele se movimenta apenas do pescoço para cima e não fala, mas, mesmo assim, dedica-se aos estudos do esporte e trabalha como vendedor de doces nas ruas do centro da cidade, com ajuda de sua cadeira de rodas elétrica. O convite para fazer parte da seleção brasileira de bocha adaptada, que contará com 11 esportistas, surgiu após o atleta conquistar a medalha de prata no Campeonato Regional de Bocha Adaptada, disputado em agosto na cidade de Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

O atleta é um dos jogadores mais antigos da equipe de bocha adaptada de Jacareí, formada por mais seis pessoas, com idades entre 35 e 45 anos. Desde que foi criado, há três anos, o grupo treina no espaço cedido pela prefeitura da cidade, que mantém convênio com Associação Criança Especial de Pais Companheiros (Cepac), sob a supervisão de professores de educação física, que são contratados pela prefeitura para atender o time.

Leia a seguir a entrevista com o atleta que fala sobre a cerca de sua dedicação à Bocha adaptada

Como surgiu o interesse pelo esporte?
Fui convidado por uma pessoa maravilhosa, que hoje é meu treinador, mais conhecido por DUDI. Achei que seria uma forma de fazer algo diferente.

Contou com algum incentivo da família ou de amigos para praticar a Bocha?
Sim. Tive incentivo não só da família, como, também, dos amigos.

Recebe algum tipo de patrocínio para praticar a modalidade?
Não tenho patrocínio algum. Represento a Cepac e os custos que por ventura tiver correm por minha conta, a não ser quando a Cepac promove bingos e, dentre os prêmios, sempre tem algum cuja a renda é para ajudar a comprar as bolas de bocha para podermos jogar com maior estabilidade.

Com que freqüência você vem se preparando para disputar o campeonato que acontecerá em Montreal?
Treino duas vezes por semana, às segundas e quartas, no Cepac e SESI, com muita garra para ficar seguro de que vou representar bem o Brasil lá fora. Não treino mais por falta de tempo, pois trabalho nos outros dias.

O que espera desse campeonato?
Espero mostrar a todos que deficientes também podem tudo: realizar seus sonhos e alcançar seus objetivos. Depois que peguei gosto por esta modalidade, sei agora que posso e vou vencer.

Como foi sua participação no campeonato que aconteceu entre os dias 16 e 20 de setembro, em Curitiba?
Foi ótimo. Fui muito bem recebido e me senti preparado para a disputa. Fui para conquistar o primeiro lugar, mas, com certeza, o terceiro lugar já me proporcionou uma grande alegria. Parabenizo o vencedor, pois mereceu ganhar. Adorei, conquistei a classificação e vou representar o Brasil com orgulho e coragem para vencer, mesmo que eu não ganhe o campeonato. Já me considero um vitorioso só pelo fato de eu ir e participar. Tudo isto mostra que ser deficiente não é ser doente e inútil, muito pelo contrário. Ser deficiente é poder mostrar a todos a nossa grandiosa eficiência

Enfim, o que o esporte representa para você?
Tudo! Ele representa garra, coragem e vida. Enfim, uma grande vontade de viver cada vez mais.
Fonte: Sentidos

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