5 de out de 2009

Moda inclusiva

O mundo da moda perde um pouco do charme quando a gente para e pensa que, de verdade mesmo, ela não é lá muito democrática. Se você é muito alta, falta um pedaço da barra ou a calça fica larga. Se é gordinha, provavelmente fica difícil encontrar aquela blusa que viu no catálogo de moda ou na revista. E, se você tiver algum tipo de deficiência física e necessidades especiais, como acha que a moda fica?

A professora da área de Moda do Senai de Cianorte, no Paraná, Leny Pereira, parou para pensar melhor sobre isso e resolveu desenvolver roupas especiais. Depois de conhecer um menino tetraplégico, de 12 anos, ela prometeu que criaria uma roupa exclusiva para ele - e assim, quase sem querer, deu inicio ao projeto "Roupas para PcD (
pessoas com deficiência)", premiado no último concurso Mostra Inova do Senai, em junho desse ano.

Leny criou uma coleção toda adaptada para crianças e adolescentes com deficiência motora, a partir de um estudo chamado 4ª dimensão de modelagem, que observa o movimento do corpo e suas articulações. Isso significa que as peças têm detalhes que facilitam o vestir, como um recorte nas costas ou um deslocamento na costura. Os aviamentos - de plástico ao invés de ferro - deixaram as roupas mais confortáveis. Mas, mesmo com tanta novidade, não há grandes diferenças quando o assunto é produção. "Os acabamentos e costuras são os mesmos já utilizados na confecção industrial. O deslocamento não muda o processo normal", garante a professora.

Segundo ela, não existem roupas com modelagem especial para os deficientes jovens que atendam a necessidade e, ao mesmo tempo, estejam na moda, com cores alegres, estampas e cortes atuais. Hoje, a maioria das crianças com deficiência utiliza roupas de tamanho maior, com algum tipo de adaptação caseira. "Geralmente a mãe tem que improvisar, fazendo aberturas laterais para vestir com mais facilidade", afirma. O projeto foi todo elaborado para atender crianças e adolescente com paralisia em membros superiores e inferiores, além de pessoas em reabilitação pós-cirúrgica. "As peças atendem não só aos cadeirantes, mas todas as pessoas com dificuldade motora, que podem ter um comprometimento leve ou grave dos movimentos", explica.

A primeira coleção tem 12 peças, com vestido, calça, blusas e jaqueta. Por enquanto, as roupas são para crianças, mas podem ser redesenhadas para mulheres e homens. Agora, a intenção é colocar a coleção no mercado. "É uma coisa simples, mas que pode mudar a vida de uma pessoa, principalmente de uma criança" considera Leny.

Fonte: Vila Fashion
Foto: Renan Pissolatto

Um comentário:

Anônimo disse...

Este projeto estará na etapa nacional da MOSTRA INOVA SENAI
que acontece no Rio de Janeiro.
Estou muito feliz com o retorno do trabalho.
Abraço.
Leny Pereira.