3 de jun de 2010

Ceilândia recebe o Campeonato Brasileiro de Rúgbi em cadeira de rodas

O rúgbi adaptado tomou conta de Ceilândia. A cidade recebeu o 3º Campeonato Brasileiro da modalidade. E os jogos foram uma mostra do que os atletas podem fazer em quadra em cima de uma cadeira de rodas. Choques, disputas acirradas pela bola, furadas na defesa, movimentação ágil e muitos gols marcaram o primeiro dia de competição.
As duas equipes que representaram a capital federal - a Mohciped (Movimento Habitacional e Cidadania das Pessoas com Deficiência do Distrito Federal), de Ceilândia, e o Águias, do Gama - foram formadas no começo de 2010 e disputaram o primeiro jogo. A estreia da Mohciped, que atuou contra o Tigres (SP), terminou com um placar pouco animador: 27 x 8 para os visitantes. O resultado mostra que o time tem muito trabalho pela frente, mas a garra com que os para-atletas jogaram até o fim do último quarto mostra também que eles estão muito empenhados em evoluir.
"Nunca tinha feito nenhum esporte, porque não tinha encontrado um que fosse adequado à minha deficiência. No rúgbi, me encontrei. É uma realização para mim", afirmou Francisca da Costa Fernandes, mais conhecida como Netha, que teve poliomielite na infância e ficou com sequelas que a deixaram na cadeira de rodas. Única mulher em quadra contra os paulistas, Netha não se intimidou diante do sexo masculino. Jogando na defesa, tentava de todas as formas impedir os gols do Tigres e vibrava muito quando seus colegas marcavam um ponto. "Por ser o primeiro jogo, cada ponto significava muito para a gente. A rivalidade foi muito grande e os bates, muito fortes. Tinha momentos que eu achava que ia voar. Mas não tenho medo, porque se você ficar receosa, não consegue enfrentar o adversário", ensinou.
Campeão brasileiro de basquete em cadeira de rodas pelo ICEP Brasil (Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil), Marcelo Nunes, 40 anos, também é novo no rúgbi adaptado. "Achei muito interessante. No rúgbi tem muito mais contato, é um jogo bem mais brigado que o basquete", avaliou. A estreia nas quadras com a Mochciped, entretanto, não agradou muito ao advogado. "Foi uma surra e tanto. Está faltando treino mesmo para a equipe", destacou. "Para mim, a cobrança já existe", acrescentou Geleia, como é conhecido pelos colegas.
Apesar de não ter saído de quadra satisfeito com o desempenho do grupo, Marcelo disse que o seu objetivo não é apenas vencer. "O que abriu minha mente foi o esporte. Quando a gente mostra o que é capaz de fazer, incentiva outras pessoas com deficiência a sair de casa. O esporte ajuda na superação e tira a nossa vergonha de aparecer", ressaltou.
Fonte: Superesportes

Nenhum comentário: