13 de ago de 2011

CMAC TEM BIBLIOTECA COM LIVROS EM BRAILLE

“Hoje o deficiente visual só não se informa se não quiser”, afirma a instrutora de informática do CMAC (Centro Municipal de Atendimento à Pessoa Deficiente Visual), Adriana Cozza, ao falar sobre a quantidade de material informativo disponível para esse público. Revistas, livros, softwares são alguns dos exemplos.

Segundo ela, é possível navegar pela internet, fazer pesquisas, estudar, ler ou apenas se divertir. Há programas gratuitos e pagos para instalação no computador que dá voz a tudo que é projetado na tela do monitor guiando o usuário deficiente visual.

As pessoas que estudam no CMAC podem ter acesso a esse mundo de conhecimento por meio da biblioteca e do laboratório de informática. Keli Menezes Vieira, responsável pela biblioteca, conta que a unidade possui cerca de 200 volumes de livros em braille e áudio, além de revistas em braille que trazem uma coletânea das reportagens publicadas nas revistas a tinta de grande circulação. Todo o material está catalogado e armazenado em prateleiras com indicações em braille para facilitar a localização. O trabalho foi realizado por Keli com a ajuda de Adriana e Daiane.

Keli conta que a biblioteca tem tudo, desde clássicos como a trilogia O tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, como sucessos atuais como Harry Potter, Crepúsculo, 1808, Código da Vinci, entre outros. A diferença é que a escrita em braille é mais volumosa o que dificulta o transporte dos livros.

Segundo Adriana, O Tempo e o Vento, escrito em três volumes, na tradução braille tem mais de 70 volumes. O Código da Vinci tem 13 e 1808, 20 volumes. Mas isso não impede o acesso e a leitura. Quem tem interesse sempre dá um jeitinho.

Keli explica que os iniciantes em braille utilizam os livros infantis, que são mais curtos, têm menos volume e são escritos em apenas um lado da página o que facilita o tato. Já os leitores mais experientes fazem qualquer tipo de leitura. Os inexperientes, ou seja, que não sabem escrever ou ler em braille, podem fazer uso dos livros em áudio.

Segundo Keli, o tempo de aprendizagem de braille depende de cada um, de seu esforço e dedicação. Ela, que ficou cega há dois anos, aprendeu a ler e escrever em braille em apenas um ano. Conforme ela, quanto mais se treina mais agilidade ganha. “Antes eu via o símbolo da letra, agora eu sinto”, diz.

Adriana explica que os livros são doados pela Fundação Dorina Nowill para Cegos. Nesta semana, a Fundação Dorina doou cinco CDs de livros em áudio para a Biblioteca Municipal. A doação foi feita por meio do projeto “Ler sem Ver” que por meio do patrocínio da White Martins produziu e distribuiu 4.500 livros infantis, infanto-juvenis, clássicos e best-sellers atuais em formatos acessíveis para bibliotecas e salas de leitura da capital e do interior.

A Secretaria de Estado da Educação também anunciou investimento de R$ 1 milhão na produção de 13,7 mil exemplares em braille, realizada pela Fundação Dorina Nowill. Desses 7.300 exemplares foram entregues no primeiro semestre deste ano e 6.400 volumes serão distribuídos neste semestre.
Fonte: JC Jornalcidade
Texto: Ednéia Silva

Um comentário:

Anônimo disse...

Prezados senhores, neste semestre estarei formando no curso de Biblioteconomia da UFMG e estou fazendo estágio obrigatório supervisionado, mas voluntário, na Biblioteca Pública Estadual de Belo Horizonte. Minha tarefa é descobrir uma identificação de livros nas estantes de maneira prática e acessível para os deficientes visuais, usuários do Setor Braille. Vocês podem me dizer como suas estantes de livros e/ou outros documentos são identificados?
desde já muito obrigada.
Katia